Orenda

2024 · OBRA CONCEPTUAL · TRÊS CAPÍTULOS

Dar forma ao que sentimos.

ORENDA nasce da relação de André ViaMonte com a música, a expressão emocional e a dificuldade que tantas vezes existe em reconhecer ou exteriorizar aquilo que se sente. A obra percorre cinco emoções através de diferentes vozes, linguagens instrumentais e estados de escuta, construindo uma experiência que começa no reconhecimento da emoção, passa pela possibilidade de expressão e termina num espaço mais interior e contemplativo.

A GÉNESE DA OBRA

Uma pergunta que começou antes da música

ORENDA vinha a ser pensado por André ViaMonte antes de encontrar a forma que hoje conhecemos. O projeto ganhou um novo impulso através do trabalho artístico desenvolvido no contexto da exposição Inside Insight, de Clo Bourgard, na Fundação Champalimaud, num ambiente onde arte, ciência e saúde se encontravam.

Para André, músico e musicoterapeuta, essa experiência aproximou várias inquietações que já faziam parte do seu percurso: porque existem emoções que conseguimos sentir mas não expressar? Porque é tão difícil dar voz à raiva, ao medo, à tristeza ou mesmo à alegria quando não encontramos palavras para elas? E pode a música criar um espaço onde essa expressão aconteça antes da explicação racional?

ORENDA cresce a partir dessas perguntas, cruzando referências da musicoterapia com sistemas de leitura do corpo e da emoção provenientes da Medicina Tradicional Chinesa, da psicologia e do pensamento hermético. Não como teoria clínica transformada em disco, mas como matéria conceptual para construir uma obra sobre aquilo que se move dentro de nós.

ORENDA

Quando sentir já não era suficiente

O álbum "ORENDA" foi um desejo nutrido por André Viamonte há bastante tempo, e a oportunidade de dar-lhe vida surgiu a partir do trabalho artístico realizado na exposição "Inside Insight", da Clo Bourgard, na Fundação Champalimaud. Esta experiência foi o catalisador para a concretização deste projeto, cujo impacto é inspirado pela importância crescente da expressão das emoções na nossa saúde.

Muitas vezes, falta-nos o veículo ou a forma adequada para explorar essa expressão. “OREN DA” nasceu exatamente dessa interconexão entre emoções, música e bem-estar, sustentado por princípios da psicologia, musicoterapia, filosofia hermética e Medicina Tradicional Chinesa.

Convido-vos a acompanhar essa jornada!

Os três Capítulos

A mesma emoção atravessada de três maneiras

ORENDA estrutura-se em três capítulos que não funcionam como obras independentes, mas como diferentes momentos da mesma experiência. Uma emoção pode ser primeiro escutada através da voz de outro intérprete, reaparecer depois sem essa voz para deixar espaço à expressão pessoal e regressar finalmente transformada numa composição de natureza mais contemplativa.

AS ABOVE I

Reconhecer através do outro.

CORE II

O espaço passa para quem escuta.

SO BELOW III

Observar aquilo que ficou.

As Above I

Capítulo I, ou “Assim na Terra” é referente ao Yang (na filosofia taoísta, que representa o raciocínio e a consciência) e também ao consciente (na psicologia).
Aqui explora-se a ideia hermética do microcosmo, que considera o ser humano uma versão menor do universo, aplicando-lhe os mesmos princípios. Busca-se compreender as relações entre corpo, mente e espírito para alcançar harmonia.

Neste capítulo convida-se a uma viagem imersiva das várias abordagens dos vários géneros musicais (fado, ópera, metal, gospel e tribal) de cada emoção.
Estes intérpretes partilharam a sua intimidade, promovendo um maior entendimento e honestidade emocional. A obra convida o ouvinte a escutar essas partilhas emocionais, de forma a que ele possa identificar-se com o intérprete na sua expressão.

Core II

Core II refere-se ao Capítulo II e corresponde à importância do movimento dos órgãos.
Para isso temos de ir ao âmago, ao subconsciente (segundo a psicologia, a zona intermediária central entre o consciente e o inconsciente) e ao Jing (da filosofia taoísta a essência e a nossa energia vital).
Seguindo estes três conceitos, este capítulo é dedicado ao âmago da nossa essência, que muitas vezes não se permite mostrar ou visitar devido a bloqueios, impasses ou recalques subconscientes.

Segundo a Medicina Tradicional Chinesa, quando os órgãos correspondentes a cada emoção mostram sinais de desequilíbrio, podem desencadear respostas emocionais negativas.
Assim, a melhor forma de alcançar o equilíbrio é iniciar o processo de expressão e movimento correspondente a cada emoção: carpir, chorar, gritar, cantar, rir.

MOTUS - Movimento

Neste Capítulo II sublinha-se o movimento e é reservado para a nossa expressão livre das emoções através de cinco instrumentais (que são a continuação dos temas do capítulo anterior). Aqui, o ouvinte é o protagonista, com um papel dinamizador e interventivo na sua essência, onde pode trabalhar, gerir, descobrir e visitar através da expressão das suas emoções.

So Below III

So Below III é referente ao capítulo III - "Assim no Cosmo" refere-se ao macrocosmo, abrangendo desde estrelas e galáxias até as leis fundamentais do universo, refletindo no microcosmo humano. O inconsciente, na psicologia, contém pensamentos e emoções inacessíveis à consciência, e o inconsciente coletivo de Jung sugere conexões universais. Yin, na filosofia taoísta, representa a tranquilidade contemplativa, semelhante ao inconsciente. Neste capítulo III, há uma revisão meditativa dos temas anteriores, convidando o ouvinte a meditar sobre as emoções, promovendo autoconhecimento e encerramento de ciclos pessoais.

CINCO ESTADOS · TRÊS FORMAS DE OS ATRAVESSAR

Uma emoção não aparece apenas uma vez

Uma das particularidades de ORENDA está na repetição transformada. Ansiedade, medo, raiva, tristeza e alegria regressam ao longo dos três capítulos, mas nunca exatamente da mesma maneira. Primeiro aparecem através de uma interpretação vocal; depois tornam-se matéria instrumental disponível para a expressão de quem escuta; por fim regressam numa construção orientada para a contemplação.
Esta arquitetura faz com que cada emoção deixe de ser tratada como um estado fixo. O que interessa é precisamente o seu movimento.

11

ANSIEDADE

Terra Serena
→ Ventris Motus
→ Calmness in Chaos

13

MEDO

Névoa Soberana
→ Renum Motus
→ Bravery Awakening

15

RAIVA

Raiz Irada
→ Iecoris Motus
→ Caring Rage

17

TRISTEZA

Luto Forjado
→ Pulmonis Motus
→ Bring Acceptance

19

ALEGRIA

Alegre Crepitar
→ Cordis Motus
→ Raising Happiness

CINCO VOZES EM AS ABOVE

Cada voz traz consigo uma forma diferente de sentir

Para o primeiro capítulo, André ViaMonte procurou intérpretes de universos deliberadamente afastados entre si. A diversidade de linguagens é parte do conceito: interessa perceber como uma emoção muda quando passa por um corpo, um timbre e uma memória musical diferentes.

Kátia Guerreiro aproxima a ansiedade de uma expressão ligada ao fado e ao vocalizo em Terra Serena. Ana Cosme leva o medo para uma linguagem de natureza lírica em Névoa Soberana. Rui Sidónio aproxima a raiva da intensidade do metal em Raiz Irada. Orlanda Guilande trabalha a tristeza a partir de referências gospel em Luto Forjado. Bruno Huca leva a alegria para uma expressão mais tribal e física em Alegre Crepitar.

Nenhuma destas vozes está ali apenas como participação especial. Cada uma é uma forma diferente de tornar visível (E AUDÍVEL) aquilo que normalmente acontece por dentro.

Kátia Guerreiro

TERRA SERENA

Ana Cosme

NÉVOA SOBERANA

Rui Sidónio

RAIZ IRADA

Orlanda Guilande

LUTO FORJADO

Bruno Huca

ALEGRE CREPITAR

Uma voz formada entre arte e escuta humana

Quem é André ViaMonte

Nascido em Zurique e criado no sul da Alemanha, André ViaMonte cresceu entre referências musicais muito distintas, da música clássica ao fado, do folclore português à ópera, do jazz às vozes de outras culturas.

Essa escuta plural tornou-se uma linguagem própria. A voz passou a ser mais do que instrumento, tornou-se lugar de identidade, composição, interpretação e presença.

Com formação em musicoterapia, André ViaMonte encontrou na voz o seu principal instrumento de relação e expressão. A experiência em contextos de grande vulnerabilidade, nomeadamente em cuidados paliativos e processos de fim de vida, transformou profundamente a sua forma de cantar e de compreender a voz. Mais do que a extensão, a técnica ou a potência vocal, passou a interessar-lhe a capacidade de chegar emocionalmente ao outro. A voz tornou-se, assim, um lugar de presença, escuta e encontro, cruzando a criação artística com uma atenção sensível à pessoa por detrás de cada

GRAVAÇÃO · PRESENÇA · EXPERIÊNCIA

Da obra ao palco

Um álbum fixa uma determinada forma de uma obra no tempo. Quando chega ao palco, essa relação volta a abrir-se. A música ganha espaço, luz, silêncio, proximidade e uma nova relação com quem a escuta.

É por isso que diferentes projetos de André ViaMonte podem originar experiências distintas. Do território mais íntimo e sensorial a uma dimensão sonora e coletiva mais ampla; da lógica convencional de concertos a formatos ligados à performance e à instalação de arte sonora; da linguagem mundial à criação em português para transportarmos ao mais genuíno sentimento de saudade.

As experiências ao vivo não funcionam, assim, como simples reprodução da discografia. São outra forma de a obra continuar a existir e coexistir.

concerto cascais

Via ao Vivo

Uma travessia acústica, íntima e sensorial.
Um percurso emocional pela perda, ausência, dor, esperança, memória e transformação.

monte - Cópia

Monte ao Vivo

Consciência, palavra e expansão sonora.
Uma experiência mais coletiva, onde instrumentos acústicos, eletrónica e reconstrução criam reflexão e presença.

Cartaz

ViaMonte

Do íntimo ao coletivo, numa só experiência.
Um formato híbrido que une o mergulho interior de VIA à expansão consciente de MONTE.

Centro Cultural de Cascais

Orenda

Arte sonora, emoção e participação coletiva.
Um universo, com dois formatos principais: uma experiência ao vivo, participativa e sensorial, e arte sonora criada para eventos.

Cá-Por-Casa-Com-Herman-José-Episódio-1-de-15-jan-2025-RTP-Play-01-17-2025_03_01_PM

De Vez

Canções construídas em relação.

DE VEZ reúne canções que nasceram do encontro de André ViaMonte com outros artistas e de histórias ligadas à casa, pertença, infância, ausência, raízes e recomeço

Andre viamonte quem é

Marias Manéis

Uma canção pode guardar uma vida inteira.

Criada especialmente para a população sénior, Marias e Manéis é uma experiência musical intimista onde André ViaMonte aproxima voz, piano, repertório e histórias de vida.

Ver, ouvir e atravessar a obra

Ver e Ouvir

A música de André ViaMonte está disponível em plataformas digitais, vídeos oficiais, atuações ao vivo e registos de projetos especiais.

Cada escuta é uma entrada possível no seu universo artístico.

Spotify

Álbuns, singles, colaborações e discografia.

Youtube

Videoclipes, registos ao vivo, entrevistas e conteúdos audiovisuais.

Discografia

VIA, MONTE, De Vez Em Vez, ORENDA, singles, colaborações e versões.

Últimas Novidades

Novo vídeo, single ou projeto em evidência.

PASSADO · PRESENTE · PRÓXIMO

Uma obra ainda em construção

Quando se observa o percurso em conjunto, é possível reconhecer relações entre os vários projetos, mas isso não significa que tenham sido criados para obedecer a uma trajetória previamente definida. A criação também é feita de desvios, reencontros, perguntas que permanecem anos sem resposta e ideias que só mais tarde encontram o lugar onde conseguem existir.

A música de André ViaMonte pode permanecer numa gravação, transformar-se em concerto, ocupar um espaço cultural, encontrar outra voz ou dar origem a uma experiência criada para um contexto específico. A obra é o ponto de partida para todas essas possibilidades.